Estrofe VII de O GRITO DAS ESTÁTUAS

E o mar fantasma: as ondas levantadas
assim, suspensas no ar, petrificadas,
como se acaso o tempo ali cobrisse
tudo o que existe - a vida, a terra, as mágoas -
num sudário de escombros e velhice,
petrificando até as próprias águas!
Corro a indagar dos mortos o segredo
que há nos restos dos braços das arcadas.
Grito às ruínas, aos túmulos. E quando
olho em torno de mim, vejo, com medo,
os olhos das estátuas assombradas
com os seus braços de pedra me acenando.
(Estrofe VII de O GRITO DAS ESTÁTUAS)